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Linguagem, sintonia e integração em um roda de choro imperdível

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No dia 30 de abril, acontecerá no Teatro Polytheama, em Jundiaí, uma roda de choro especial, com Arnaldinho do Cavaco e o grupo Família Contemporânea. Os músicos convidaram os irmãos Izaias e Israel de Almeida para fazerem parte da festa.

Arnaldinho iniciou sua carreira no meio musical aos 12 anos, especialmente com o choro. Desde pequeno já tinha influência do pai, Nelson Pacheco, que o levava em apresentações em teatros, palcos de rua ou nas choradas realizadas nas casas de alguns amigos. Já adulto, teve o imenso prazer de tocar com grandes mestres do choro, como o Izaias de Almeida, que será um dos seus convidados para o espetáculo do próximo sábado.

Arnaldinho garante que a plateia pode esperar uma roda de choro emocionante. “O público se encantará com a linguagem, a sintonia e a integração completa que esses músicos têm entre si”, revela o músico.

Confira a entrevista exclusiva que Arnaldinho e Izaias de Almeida concederam à equipe dos Concertos Astra-Finamax.

1. Como conseguimos identificar o choro? Quais instrumentos o caracterizam?

ARNALDINHO: Os instrumentos que o caracterizam são: flauta ou clarinete, cavaquinho, violão e um pandeiro. Modernamente entraram o bandolim e o cavaquinho também como instrumentos de solo (como a flauta e o clarinete). Em seu início, o cavaquinho se prestava mais ao acompanhamento – o que se chama de centro de cavaquinho nas rodas de choro. Hoje em dia, há outros instrumentos participantes, tais como o acordeom, a gaita de boca, a escaleta. O piano atua neste contexto desde a época de Chiquinha Gonzaga e de Ernesto Nazareth – considerados os precursores do choro, já que também foram grandes compositores e exímios pianistas.

IZAIAS: Não podemos classificar o choro como um gênero e, sim, como uma forma de tocar, cantar ou interpretar uma determinada melodia. É muito difícil explicar como identificá-lo. Geralmente o choro é executado de forma sentimental (quando lento) e de forma “jocosa” (quando rápido). Como base, um conjunto de choro é tocado com dois violões, um cavaquinho e um pandeiro, acrescido de um ou dois solistas, podendo ser uma flauta e/ou um bandolim, porém, podem ser tocados por outros instrumentos solistas. Hoje em dia ouvimos choros executados ao piano, acordeom, clarinete (muito usual) e outros. O importante é que o solista tenha a “linguagem” chorona, conforme explicado anteriormente.

2. O que podemos esperar para o espetáculo do dia 30 de abril, em Jundiaí? Haverá algum tema para a apresentação ou composição que mais chamará a atenção do público?

A: Dia 30 será especialíssimo, já que terá no palco chorões que, além de exímios em seus instrumentos, são também pessoas de uma vivência e um conhecimento incríveis a respeito do gênero. O público se encantará com a linguagem, a sintonia e a integração completa que esses músicos têm entre si, além das informações que eles passarão entre uma obra e outra numa conversa descontraída, mas puramente cultural.

I: Talvez o público espere mais do que pudermos apresentar. Não somos músicos de “shows”. Não dançamos, não cantamos, não utilizamos instrumentos eletrônicos. Chegamos até a nos classificar, imodestamente, de músicos de câmara. Digo que talvez esperem que tenhamos maior rendimento como se usa habitualmente, nos conjuntos de “pagode”, “rock” etc. Não é o nosso caso. Apresentaremos o repertório de choro (valsas, polcas, entre outros que fazem parte do repertório em questão) com algumas ilustrações históricas.

3. Os Concertos Astra-Finamax completam 19 anos em 2016. Para músicos e grupos de produção artística, qual a importância de projetos como este?

A: Esses projetos são de extrema importância por, justamente, proporcionarem toda a estrutura e condições para que cada artista mostre sue talento, fale de seu trabalho, de sua história e, principalmente, sinta-se um propagador de nossa cultura e de nossa arte, que necessita ser mostrada, admirada e repassada de geração a geração, com as devidas inovações e contribuições culturais que cada época traz.

I: Parabéns pelo décimo nono aniversário dos concertos. Torcemos para que tenham vida muito longa, e o sucesso, acredito que esteja na forma modesta de apresentações de música puramente instrumental, como tem acontecido até hoje. Que tenhamos muito mais concertos, e muitos mais aniversários, pois para nós músicos é de vital importância. Sucesso para todos nós.

A Roda de Choro acontecerá no dia 30 de abril, às 20h30, no Teatro Polytheama. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro por R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

O Teatro Polytheama fica na Rua Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí. Mais informações sobre a venda de ingressos pelo telefone (11) 4586-2472.

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