Orquestra Jazz Sinfonica no Teatro Municipal - Geral Pousada , JM- 1392

Orquestra Jazz Sinfônica se apresenta nos Concertos Astra-Finamax

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Criada com o intuito de resgatar e manter viva as tradições das orquestras de rádio e televisão que fizeram sucesso nas décadas de 1940 e 1950 e vestir a música popular brasileira com roupagem sinfônica, a Orquestra Jazz Sinfônica possui os moldes eruditos tradicionais e de uma big band de jazz, estética que lhe permite uma sonoridade exclusiva. E é exatamente essa formação única que o maestro Fábio Prado traz à Jundiaí, no Teatro Polytheama, no dia 27 de agosto.

Quanto ao repertório da apresentação, Fábio promete um concerto com estilos variados e composições de Adoniran Barbosa e Noel Rosa, além de música argentina e Astor Piazzolla. Serão lembrados também Baden Powell e algumas peças de cinema, com um destaque especial pra Nino Rota e Ennio Morricone, entre outras.

Confira a entrevista completa abaixo:

  1. Quais as particularidades que mais se destacam na formação da Orquestra Jazz Sinfônica? O que a difere das demais orquestras?

R: A Jazz Sinfônica é uma orquestra singular porque a formação dela é única, só a Jazz Sinfônica e uma outra Orquestra na Holanda têm essa formação, que é o fruto da união de dois grupos musicais de origens contrastantes. Primeiro uma Orquestra Sinfônica nos modos tradicionais e segundo uma Big Band de Jazz, que é um grupo que tem origem nos Estados Unidos, daí o nome Jazz Sinfônica. Mas o curioso é que, na verdade, ainda que a gente tenha esse nome “Jazz”, um dos objetivos principais da orquestra é vestir a música popular brasileira com roupagem sinfônica. O outro objetivo é manter viva a tradição das orquestras da “Era de Ouro” dos rádios. Estamos falando da década de 40 e 50 do século passado, quando naquela época todas as grandes rádios possuíam no mínimo uma orquestra. E uma orquestra que não fazia só música erudita, mas também música popular. Nosso fundador foi o maestro Cyro Pereira, que era um legítimo representante dessa época. O Cyro chegou em São Paulo na década de 50, na verdade, exatamente em 1950, e trabalhou muito durante 20 anos na rádio e TV Record. Ele foi maestro dos festivais dos anos 60 e trouxe para a orquestra toda a estética daquela época das orquestras de rádio. E outra pessoa que foi fundamental para a formação estética da orquestra é o maestro Nelson Ayres, que já é de uma geração mais nova. Ele estudou na Berkeley, nos Estados Unidos, e trouxe uma linguagem moderna. E essa dicotomia entre o tradicional e o mais moderno fez a base estética da Orquestra Jazz Sinfônica.

  1. O que podemos esperar para o espetáculo do dia 27/08, em Jundiaí? Haverá algum tema para a apresentação ou composição que mais chamará a atenção do público?

O concerto do dia 27 será com a sinfoneta da Jazz Sinfônica, porque a Big Band vai fazer uma mini turnê pela Europa com a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), então nós levaremos um grupo um pouco menor do que a orquestra completa. E os destaques desse concerto são alguns medleys, especialmente um do Adoniran Barbosa e outro do Noel Rosa. A gente vai ter também Baden Powell, música argentina, Astor Piazzolla, e também algumas peças de cinema, com um destaque especial pra Nino Rota e Ennio Morricone. Então é um concerto com estilos variados, mas um concerto muito interessante e do ponto de vista musical, muito bonito.

  1. O que podemos esperar da Orquestra Jazz Sinfônica para esse segundo semestre quanto ao repertório?

O ano de 2016 está sendo um ano particularmente complicado, por conta dessa crise que o Brasil inteiro vem enfrentando. Somos um equipamento do Estado de São Paulo que, assim como todo o Brasil, está passando por um momento muito difícil de ajustes. Então, a grande novidade deste ano é que nós estamos fazendo uma série de assinaturas na Sala São Paulo. São seis concertos, cada um com uma característica própria. Nós já fizemos três, um com o Roberto Menescal, que foi um concerto todo dedicado à Bossa Nova. O segundo, com a cantora Fabiana Cozza, foi dedicado à Edith Piaf. E, no terceiro concerto, nós fizemos uma recriação de um disco de 1999, do Carlos Rennó, quando ele fez versões pra canções de Cole Porter e George Gershwin. Esse concerto se chamou “Canções versões”. O próximo concerto é com o Trio Corrente, um trio instrumental brasileiro que já ganhou dois prêmios Grammy.  Depois nós temos um concerto com Wagner Tiso e, para encerrar a temporada, nós teremos um concerto intitulado “Concerto das Américas”, com destaque para Astor Piazzolla, Duque Elenton e Tom Jobim. Isso é o que diz respeito ao nosso repertório deste ano.

  1. Os Concertos Astra-Finamax completam 19 anos agora, em 2016. Para músicos e grupos de produção artística, qual a importância de projetos como este?

Com relação aos Concertos Astra-Finamax, primeiro eu quero dar os parabéns por esses Concertos acontecerem há 19 anos, sendo uma série tão longeva. E acho que é importante salientar que projetos como esse são fundamentais para a sobrevivência dos grupos musicais e também para espalhar cultura, porque em geral as pessoas têm esse chavão de que cultura é importante, mas por que cultura é importante? E o que é cultura? Cultura no meu ponto de vista é você apresentar para as pessoas realidades e situações diferentes daquelas que elas estão habituadas, ou seja, a gente, com cultura, com o que a gente faz, mostra coisas diferentes. E isso gera que tipo de reação normalmente? Primeiro, as pessoas têm contato com universos inesperados por vezes, e ao fazer isso as pessoas se tornam mais tolerantes, porque percebem que o mundo é maior do que só aquele que eles estão habituados. Então, acho que esse é o papel fundamental da cultura, ou seja, estimular a tolerância e ela é estimulada quando se mostra coisas diferentes para as pessoas e, nesse sentido, qualquer projeto que divulgue qualquer forma de cultura merece o nosso aplauso e o nosso apoio.

Data | 27 de agosto de 2016

Local | Teatro Polytheama

Rua Barão de Jundiaí, 176 – Centro, Jundiaí

Horário | 20h30

Valor | R$ 10,00

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